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Desequilíbrio psicológico pode afetar o processo de emagrecimento

Psicóloga ressalta que o sucesso no processo de emagrecimento também depende da forma como o indivíduo lida com as dificuldades do dia a dia

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Por Hugo Oliveira, da Comunicação Sem Fronteiras

 

O brasileiro vem perdendo a guerra contra a balança, pelo menos é o que indica a Pesquisa Nacional de Saúde (2016) do Ministério da Saúde. O levantamento aponta que o número de obesos cresceu 60% entre 2006 e 2016. Atualmente, 56,9% da população adulta do Brasil sofre com excesso de peso. Desses, 18,9% está obeso.

 

Segundo muitos especialistas, um componente que pode está agravando esse número de brasileiros lutando contra o sobrepeso tem a ver com a frustrações de muitas pessoas que, frequentemente, não atingem o resultado esperado num tempo a contento.

 

De acordo com a psicóloga Lorena Dias, especialista em Terapia Comportamental-Cognitiva e Neuropsicologia, o problema do excesso de peso ou da obesidade, vai além da má alimentação e da falta de exercícios, há quase sempre uma questão emocional envolvida.

 

Ela afirma que num mundo onde a correria é praxe, as palavras depressão e ansiedade ficam cada vez mais presentes no nosso dia a dia.

 

Nesse contexto, pessoas com sobrepeso ou obesidade, que passam por momentos de instabilidade psicológica, veem na falha do processo de emagrecimento, mesmo seguindo à risca o planejamento alimentar e a rotina de exercícios físicos, um reforço à sua falta de confiança em si próprias.

 

“Isso ocorre porque para algumas pessoas, dietas e exercícios só fazem efeito se a pessoa tiver estrutura psicológica compatível com os planos de emagrecimento. A gente ouve falar muito que alimentos possuem valores nutricionais e calóricos, mas ignoramos o fato deles carregarem, além disso, valores simbólicos. Temos uma relação afetiva com o alimento, que é o que vai determinar o sucesso do programa de emagrecimento para indivíduos nessa situação”, explica a especialista.

 

A psicóloga esclarece que mesmo com o indivíduo cumprindo todas as metas nutricionais e de atividades físicas, se o emagrecimento não ocorre, por motivos genéticos ou psicológicos, essa frustração colabora para o abandono do programa.

 

“Pesquisas reforçam que a obesidade, quase sempre tem comorbidades, ou seja, coexistência com outro transtorno psiquiátrico, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do comer compulsivo. Juntas, afetam não só a imagem corporal do paciente, mas também os sentidos, os pensamentos, o comportamento dele como um todo, bem como alteram as relações sociais. A pessoas sente-se estigmatizada”.

 

Frustração e compulsividade

Segundo Paula, umas das mais afetadas são aquelas diagnosticadas com a Síndrome do Comer Compulsivo.

 

“A tendência é parar com a dieta e voltar a engordar. A pessoa abre mão do propósito em função dessa frustração. Se sente incapaz, sem controle de si e não consegue desempenhar suas atividades sem ter pensamentos negativos sabotadores”.

 

Assim fica mais fácil entender que emoções, tensões e negatividades podem se tornar gatilhos para que o comer compulsivo seja desencadeado.

 

“Quem passa por isso não come porque está com fome, mas para buscar alívio para uma tensão ou para tentar preencher a falta de algo, como atenção, amor. A ingestão ocorre em grandes quantidades e quase sempre de alimentos hipercalóricos. Então, antes de partir para o emagrecimento, de fato, é importante saber que por trás dessa frustração, existem pensamentos sabotadores que a impedem de solucionar o problema e continuar com o projeto da dieta”.

 

Depois de ingerir grandes quantidades de alimento, a pessoa sente um prazer momentâneo. Essa sensação é seguida de períodos rigorosos de autocrítica e culpa, tornando o problema uma “bola de neve”. De acordo com a especialista, é preciso preparar a mente para o processo de emagrecimento.

 

“Às vezes é necessário que a pessoa reaprenda a lidar com frustrações e problemas em sua vida. Por isso é importante que pessoas passem por um acompanhamento psicológico antes realizarem cirurgia bariátrica e implante de balão intragástrico. Como vai diminuir o tamanho do estômago se ainda pensa e se comporta como uma pessoa gorda? Tem que ter uma mente capaz de saber quando pode comer, o que comer e qual é o momento de dizer não para ter sucesso nesse processo”.

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