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Equipe de saúde ressalta principais cuidados após implante de balão intragástrico

Para quem sofre com sobrepeso e obesidade, falar de emagrecimento é, quase sempre, lembrar de uma meta difícil de atingir e de uma trajetória de muitos sacrifícios. Mesmo após passar por dietas e uma rotina de exercícios físicos, ambas monitoradas por profissionais, algumas pessoas não conseguem atingir seus objetivos. É nessa hora que outras soluções,

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Para quem sofre com sobrepeso e obesidade, falar de emagrecimento é, quase sempre, lembrar de uma meta difícil de atingir e de uma trajetória de muitos sacrifícios. Mesmo após passar por dietas e uma rotina de exercícios físicos, ambas monitoradas por profissionais, algumas pessoas não conseguem atingir seus objetivos. É nessa hora que outras soluções, como os balões intragástricos – além de medicamentos e cirurgias – são procurados para obtenção desses resultados.

 

Mas apenas o implante não resolve a questão, segundo especialistas no assunto. É consenso entre médicos gástricos, nutricionistas e psicólogos que o comportamento do paciente, após o implante, é determinante para o sucesso do tratamento. De acordo com profissionais das três áreas ouvidos pelo Blog da TOP MED, é necessário que o paciente passe por um acompanhamento multidisciplinar, com foco no emagrecimento, ganho de massa muscular e mudança definitiva de hábitos alimentares e estilo de vida.

 

Óptica médica

Do ponto de vista da medicina, o cirurgião do aparelho digestivo Eduardo Pimentel aponta que, após a implantação do balão, alguns cuidados devem ser tomados. “O paciente deve seguir a dieta orientada por um nutricionista e, tão logo consiga, iniciar atividade física, o que pode ser possível 30 dias após o procedimento. Evitar o consumo de carboidratos, doces, bebida alcoólica e seguir o plano programado pela equipe é fundamental para que haja emagrecimento”, diz o especialista.

 

O médico reforça que o balão, em si, é uma ferramenta que auxilia o paciente na busca pelo emagrecimento, porém ele lembra que a mudança de hábitos e o cumprimento das prescrições médicas são imprescindíveis para o sucesso do tratamento. “Só o balão não emagrece ninguém. Isso ocorre com uma dieta e o balão ajuda a seguir o direcionamento proposto pela equipe multidisciplinar que acompanha o paciente, e esse acompanhamento também ajuda na identificação de possíveis complicações”. O especialista diz que nos primeiros dias do tratamento pode haver vômitos, náuseas e cólicas que devem ser tratados com dieta adequada e medicação sintomática.

 

Eduardo Pimentel explica que é importante que, durante a implantação, o médico faça o enchimento adequado do balão, de acordo com o tamanho do estômago. “Isso é fundamental para a redução dos casos de cólica e vômito”, esclarece. Outra complicação é a migração do balão do fundo gástrico para o antro (parte inferior do estômago). “É possível perceber por endoscopia. Quando isso ocorre, o paciente vomita sem parar, mas é uma questão possível de resolver sem a retirada do balão”, explica Pimentel.

 

O que diz a Nutrição

De acordo com a nutricionista Carolina Aidar, o balão tem o propósito de preencher o estômago do paciente para dar a ele saciedade. Durante o uso, entretanto, a nutricionista reforça a importância da reeducação alimentar. “O paciente deve passar por uma mudança drástica de comportamento e estilo de vida. Precisa aprender a comer de forma saudável. Mas como a única restrição imposta do balão é ao volume, se o paciente ingerir líquidos e alimentos super calóricos, o tratamento não renderá o efeito esperado”, diz.

 

O ideal, segundo a especialista, é que o paciente seja submetido a uma dieta com restrições calóricas. “Devem ser evitadas bebidas ricas em açúcar, alimentos gordurosos, frituras, e itens açucarados para que a perda de peso ocorra. A alimentação correta deve ser baseada em frutas, legumes, verduras, raízes e tubérculos – a exemplo da batata e da mandioca/aipim –, além de carnes e ovos”. O acompanhamento multidisciplinar, completa ela, “gera gasto de calorias, com exercícios físicos, ganho de massa muscular e efeito adequado no emagrecimento”.

 

Psicologia comportamental

Conforme explica a psicóloga clínica especialista em teoria cognitiva comportamental e neuropsicologia, Luciene Garcia, a avaliação e o acompanhamento psicológico são tão importantes para quem implanta o balão, como para quem passa por uma cirurgia bariátrica. “É por meio desse acompanhamento que podemos conhecer a personalidade e identificar possíveis comportamentos disfuncionais ou psicopatológicos do paciente, como transtorno de ansiedade generalizado, depressão, compulsões alimentares periódicas entre outras”.

 

A especialista explica que quando o paciente não passa por esse processo pode desenvolver complicações psicológicas após o procedimento. “O paciente pode ser alvo de psicopatologias que já estavam latentes e que poderiam ser sanadas ou, pelo menos, minimizadas, por meio de um processo de autoconhecimento e ressignificação. A psicoterapia trabalha as emoções, a cognição e em especial as crenças disfuncionais, promovendo um fortalecimento emocional”.

 

Luciene reforça que, integrado ao tratamento multidisciplinar, o acompanhamento psicológico irá fornecer bases para que o paciente entenda e aceite sua visão de si mesmo. Segundo ela, muitos trazem consigo crenças disfuncionais, que são aquelas geradas por comentários negativos de outras pessoas, neste caso, relacionadas ao peso e personalidade da pessoa.

 

“‘Você não vai conseguir emagrecer, você é preguiçoso, não tem determinação’, são exemplos de coisas ouvidas pelos pacientes que estão com sobrepeso ou obesos e que podem levar esses pacientes a duvidarem de si e de suas capacidades. Se essas pessoas não estiverem preparadas emocionalmente, essas coisas passam a ser verdade pra elas. Então o tratamento psicológico vem para ajudá-lo a ressignificar esse olhar que o paciente tem dele mesmo. Com esse aprendizado e com acompanhamento médico e nutricional, ele tem mais chance de obter eficácia do tratamento de emagrecimento”, conclui a psicóloga.

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